"Ô, Dilma, que papelão, não se governa com religião", esta foi a música cantada pela platéia de cerca de 800 pessoas na abertura da 2ª Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos LGBT, que aconteceu na última semana. Embora ausente, Dilma Rousseff foi criticada por não se posicionar abertamente sobre a homofobia e por se aproximar de segmentos evangélicos.
O presidente da associação nacional ABGLT, Toni Reis, cobrou atenção do governo federal para não haver “retrocesso” na consolidação dos direitos do grupo. Dilma Rousseff estava representada pelos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Luiza Bairros (Igualdade Racial).
A travesti Jovanna Baby aproveitou o discurso e disse que os evangélicos são privilegiados por Dilma. "Nossa presidente esteve na ONU e não teve coragem de falar de homofobia (...) Enquanto acordo com evangélicos for feito nas cortinas do palácio, o sangue das travetis vai continuar correndo".
Kit gay
O principal apelo foi pela liberação “imediata” do material didático pedagógico do Projeto Escola sem Homofobia.
Apelidado no Congresso como Kit Gay, o material foi alvo de críticas da bancada religiosa por supostamente incentivar crianças à prática homoafetiva. Diante das resistências, o projeto foi abandonado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo – que não quis se indispor com os religiosos.
À época, Dilma também disse não concordar com o conteúdo do material.
A referência à proibição do kit levou Toni Reis a criticar a ala religiosa que, segundo ele, impede avanços na consolidação dos direitos da comunidade gay. “Não aceitamos num país laico como definido em sua Constituição que religiosos homofóbicos se tornem censores das políticas públicas”, discursou.
Fonte: Patio Gospel

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